domingo, 11 de outubro de 2009

Tô de Boa, com Ronald de Lucca



Mais um emocionante projeto jamais realizado.



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TÔ DE BOA



VINHETA DE ABERTURA
Ronald, na praia, filmando a si mesmo, enquanto gira para mostrar a paisagem.

CENA 1 - PRAIA. EXT. DIA.





RONALD

Olá, amigos, eu sou Ronald de Lucca e este é o TÔ DE BOA, o programa ideal para quem curte altas dicas e grandes azarações, sempre em lugares paradisíacos do Brasil e desse mundão sem porteira... eita! [tomando fôlego para lembrar do roteiro] Hoje,vamos fazer uma trip um pouco diferenciada. Vamos conhecer o Rio de janeiro dos filmes! É, vamos conhecer os lugares lindos dessa cidade que, modestia a parte, é a mais linda do mundo! Vamos conhecer as locações maravilhosas onde foram feitos clássicos como Cidade de Deus, Ônibus 174, A Partilha, A Grande Família e muito mais... Vai vendo!



CORTA PARA


(transição - CENAS DO RIO DE JANEIRO)


CORTA PARA


CENA 2 - PRAIA. EXT. DIA.




RONALD
E quem vai me acompanhar nessa curtição vai ser o meu amigo, o grande fera da nova geração, o discipulo de Nuno Leal Maia... Ele que é considerado o maior presepeiro de Ipanema, o meu querido Felipe Felippo! O popular Albatroz da Malhação!

FELIPPO
[de ressaca, óculos escuros, mas animado] Grande Ronaldinho, meu bródinho querido... Me desculpem essa cara amassada, eu tava ontem estrondando na festinha irada do Wolf Maia, abração pra ti Wolf! Queria agradecer também a carona da Luaníssima Piovani, desculpa qualquer coisa, gata... Mas não dá nada, ela entende essas paradas!

RONALD

[sem graça] O Wolf... fez festa ontem?

FELIPPO

Ih, rapaz... Aquilo não foi festa, foi um happening! Aproveitando, deixa eu mandar uma beijoca na bochecha da minha amiga Lucimara Parisi, estrondou ontem na festa, foi lindo, cara... Nem digo nada! Xena, a princesa guerreira! Quem foi, tá ligado!

RONALD

[constrangido] É isso mesmo, um abraço Wolfão... Mas duvido que tivesse melhor que o festerê que o meu amigo Lucianinho Huck fez semana passada, coisa finérrima, um verdadeiro show! Beijo pra Dani Bananinha, e pra Fani Pacheco, Urru Nova Iguaçu! Rá, rá!

FELIPPO

[não dando bola] Olha só! Uma beijoca pra Carla Bruni e pro meu querido Fat Boy Slim, que foram tudo ontem na festa internacional do Wolfasso! To aqui tomando uma aguinha porque ninguem é de ferro, a Claudia Jimenez sabe bem do que eu to falando.

RONALD

[interrompendo] Bom, chega dessa palhaçada, vamos conhecer um pouco o Rio de Janeiro hollywodiano... Preparado, Felipe Felippo?

FELIPPO

Claro, Ronaldinho... Vamo aí conhecer essas locações incríveis, porque as estrelas eu já conheço! Um abraço pro Renato Gaúcho, que não guentou a pressão da mulherada ontem!



CORTA PARA


(transição - CENAS DO RIO DE JANEIRO)


CORTA PARA


CENA 3 - CANDELÁRIA. EXT. DIA.




RONALD
[olhando pra câmera, mostrando a paisagem] Olha, andar pela área urbana do Rio de Janeiro me lembra da minha querida Juliana Paes, musa da novela das oito, especialmente quando ela era a Ritinha de Laços de Família. Um abraço pra toda a galera de Niterói...

FELIPPO

Rapaz, falou Niterói eu lembro logo do André Marques... Já fizemos cada presepada em Niquiti... Abraço pra ele e pra minha irmã de alma Cissa Guimarães! Fiorelá! Retorna minhas ligações!

RONALD

Você me lembrou agora, Miguelito Falabella, grande figura humana, Negócio da China e Toma Lá Dá Cá fazendo o maior sucesso! Preciso te devolver aquele disco do Fine Young Cannibals, devo não nego!

FELIPPO

Ahhh, já que voce citou, um beijo es-ta-la-do na testa da Grazi Massafera, esse vulcão erótico, essa força sensual, grande talento e carisma! E, claro, meu bródinho do surfe, Cauã Reymond! Fala lessske, vamo estourar aquela parada esse findi!

RONALD

[irritado] Porra, o Cauã nunca mais retornou minhas ligações. Falou que tava em Balneário...

FELIPPO

Falando em ligações, beijoca pra Ana Paula Arósio. Tá linda!

RONALD

[mudando de assunto] Galera, estamos aqui com o Felipe Felippo, o Albatroz da Malhação, e aqui é onde foi filmada uma das cenas mais impactantes do cinema nacional... Você sabe do que eu to falando, Felippo?

FELIPPO

Claro, Ronaldinho... Coé!? Aqui a incrível Lucélia Santos foi estuprada por diversos afro-descendentes em Bonitinha mas Ordinária, já bati várias pra essa cena épica, que saudades de você, Lucelinha! Beijão pra você e pro Pedrinho Neschling, rapaz, me liga pra eu devolver pra ti aquela parada!

RONALD

[surpreso] Mas que porra... Aqui foi filmado a cena da chacina da candelária, cara!

FELIPPO

[rindo meio chapado] Hahaha, pede pra sair, Felipasso! O Wagner Moura, falando nisso, o cara deu um show ontem, transformou uma passagem de Hamlet em funk carioca. [cantarola] O que é mais nobre para a alma, suportar a pressão da minha pegada...

RONALD

Agora que você mencionou o funk carioca, uma das belezas da cidade, um beijo pra Regina Casé, grande ap...

FELIPPO

[interrompendo] Beijo pra Regina Casé é meio foda, ein! Nenhum critério... Beijo pra Patricia Poeta! Linda! Tá arrasando!

RONALD

[desanimado] É, galera... Nessa locação maravilhosa foi gravada a famosa cena do filme Ônibus 174, uma cena que chocou o país. Trabalho bárbaro do Bruno Barreto, esse monstro sagrado do cinema nacional... Quem mais pra criar algo assim?

FELIPPO

Daniel Filho! Criou ontem um drink aceleradíssimo, deixa o coração a mil, que apelidamos carinhosamente de Norton Nascimento, que está com papai do céu! Beijo pra ele e pra minha vó também, Dilma Felippo, grande dama do teatro. Tenho certeza que os dois estão dando show lá em cima, no grande palco do papai do céu!

RONALD

[visivelmente puto] Mas olha só, galera, que alucinante... [subitamente empolgado] Vejam ali se nao é o grande Michel Gomes, do Nós do Morro! Fala, muléque! [na verdade, é um mendigo louco de crack]

MINDINGO

[drogado e indignado] Coé... Tira essa camera daqui fiadaputa

RONALD

Calma, Michel! Que que tá pegando?

FELIPPO

Aí, Ronald... Não conheço esse aí não...

RONALD

Calaboca, Felipe. Você não conhece os verdadeiros artistas do Brasil. O Brasil moleque, o Brasil que vem do gueto. Esse aí é o grande Michel Gomes, o protagonista de Onibus 174! O que você ta fazendo por aqui na Candelaria, vestido desse jeito? É laboratorio? Sera que estamos relatando com exclusividade que o classico Onibus 174 vai ter continuação? Vem ai o Onibus 175, Michel?

MINDINGO

Vô te matá filha da puta!!! tira essa camera daqui viado!!!

FELIPPO

Calma, galera...

RONALD

Ih, Michel... Não precisa levar o personagem tao a serio! E essa cicatriz ai na cara, incrivel trabalho de maquilagem, foi a Silvinha que fez essa? Show de bola...

FELIPPO

Ronald, ele ta sacando uma arma...

RONALD

Relaxa, isso é a arte das ruas, rapá. O garoto ta fazendo imersão total. Aprende com ele. Wolf Maia. E convida eu e o Michelzinho pra proxima festa, pô. Diz ai, Michelzinho!

MINDINGO

Michelzinho é o caralho, fiadasputa. Playboy do caralho, fdp [dá três tiros em Ronald de Lucca]

RONALD

[agonizando] Porra, Michelzinho, isso não é cinema novo...

FELIPPO

[indignado] Aí, seu lóki... olha o que tu fez. Pobre ronald de Lucca. [simpático, olhando pra câmera] Aproveito pra mandar um salve pro querido produtor Augustinho Malafaia... Ah, muleque, agora abriu vaga na apresentação do To De Boa, tamos aí! [fazendo hang loose]

MINDINGO

Pô, muleque... tu não é aquele Albatroz da Malhação?

FELIPPO

Eu mermo!

MINDINGO

[guardando a arma] Minha mulé te adorava, rapá... Dá um autografo aqui, vou levar na vala que ela tá enterrada.

FELIPPO

E me diz, tu tem aquele de 30 aí?

MINDINGO

Mermão, aqui nós temo tudo, tô de boa...

FELIPPO

Ah, muleque! [OLHANDO PRA CÂMERA] Um abraço pro Fábio Assunção, urrú! Anthony, tamo junto!




FIM





terça-feira, 6 de outubro de 2009

Jornalismo empresarial

20_2832-Chico Anysio

Para combater o avanço de entidades como a Igreja Internacional na internet, a Rede Record lançou recentemente o portal R7.

Embora conte com atrações de inegável charme e qualidade, como os blogs de Rubens Ewald Filho, Théo Becker eGeraldo Brasil, o que está causando comoção nas redes sociais é o empreendedorismo de seus jornalistas.

A empresa tem se aproveitado do cunho jornalístico para fazer prospecções pouco sutis a artistas de outras emissoras, em especial a Globo. No miudinho, como quem não quer nada, Miguel Arcanjo Prado comparece às entrevistas portando caderninho, gravador e uma maleta forrada de dólares - só por via das dúvidas.

Confiram comigo dois trechos instigantes de recentes matérias que o empreendedor jornalista fez com Chico Anysio eGlória Maria.

  • R7 - Você mudaria de emissora em 2012 para ter um programa só seu?

  • Anysio - Não. Saindo da Globo, eu vou para casa.


***

  • R7 - Você sairia da Globo para ir para umaoutra emissora?

  • Glória - Ai... Olha, Miguel, a verdade é a seguinte: nunca pensei em ter duas filhas e hoje estou criando duas crianças. Nunca digo: "dessa água não beberei". Tudo que tenho profissionalmente eu devo à Globo. É minha segunda família, tanto que me deram esses dois anos sabáticos. Mas é aquele negócio: eu recebi e tenho recebido propostas, graças a Deus. Mas nunca aceitei. Até agora nada me seduziu. Mas...


Verdadeiros clássicos. É possível imaginar Miguel empurrando com os pés a maleta para debaixo da própria cadeira depois da resposta ríspida de Chico Anysio, e provavelmente as reticências que encerram a resposta da Glória Maria foram motivadas por números escritos em um bilhetinho enquanto ela falava.

Com isso, a Record prova ter o RH mais criativo do entretenimento nacional. Toda entrevista de emprego começa com conteúdo exclusivo para o portal, e diversas matérias viram oportunidades de negócio em potencial.

Nos resta parabenizar todos os envolvidos.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Detetive novelístico

Caros colegas, antes de qualquer coisa, cabe explicar as origens desta minha nova coluna no Papo Ereto. Durante todos esses anos vivenciando esta indústria fundamental, dei minha contribuição para a popularização da telenovela no território nacional.

Graças a textos sobre o impacto social das novelas de Manoel Carlos ou mesmo minha cobertura exclusiva de Malhação, a teledramaturgia nacional vive momentos de ouro.

Na qualidade de profundo conhecedor das coisas de novela, fui convocado pelo presidente do Grupo Interbarney, um galego bonito, de peito espadaúdo e voz aveludada (myself) para falar com a juventude sobre esta mania nacional.

Neste espaço, discutiremos os futuros possíveis e prováveis da realidade folhetinesca atual. Cabe lembrar que trabalharemos numa frequencia semanal, ou pelo menos tão semanal quanto minha outra coluna fixa costuma ser.

Vamos curtir essa vibe corretíssima?

SOBRE CAMA DE GATO

[caption id="attachment_1345" align="aligncenter" width="300"]Alcino Positivo Alcino Positivo[/caption]

A Rede Globo já exibe vinhetas emocionantes de sua próxima atração das seis. Em uma delas, conhecemos Alcino, personagem de Carmo Dalla Vecchia, que surge com um interessante twist: ele descobriu que possui uma doença terminal.

Trinta segundos, e nada mais, são suficientes para vislumbrarmos as cenas dos próximos capítulos. Mesmo com sua empregada doméstica Isabela Garcia implorando para que nosso estimado Alcino consulte uma segunda opinião, nosso trágico protagonista segue irredutível: para quê ouvir novamente uma sentença de morte?

Mesmo com essa parca quantidade de informações, já temos todo um cenário construído para os próximos meses.

Carmo Dalla Vecchia ainda não é um nome importante o suficiente para fazer apenas uma participação especial e ainda assim ganhar um spot promocional. Alcino sobreviverá, e comerá a empregada doméstica Isabela Garcia. Pois, por amor, ele há de consultar uma segunda opinião, e a redenção virá ao lado de muita paixão.

Desde já, torço pela felicidade do casal, muito embora não vá assistir à novela, até por causa do horário. Mas isso é o bonito desse paradoxo conhecido como chamadas de novelas: são tão bem feitos que tornam dispensável o ato de assistir aos capítulos completos.

FUN FACT

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Carmo Dalla Vecchia é de Carazinho - RS. Gabriel Von Doscht (@moskito) também.

NO PRÓXIMO CAPÍTULO:

Manoel Carlos está banalizando a paraplegicação do cidadão brasileiro. E eu tenho como provar.

abs

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

As polêmicas da semana

- TÁ TODO MUNDO NESSA

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Lily Allen declarou que acha errado baixar música dos outros de graça, pois isso atrasa o lado dela, e ainda alfinetou a galera da maconha que apoia a situação.

Foi o que bastou para que fossem deflagrados comentários desabonadores sobre o som da moça. "Discordo de ti, logo te odeio". A educação sentimental dessa galera parece vir toda do Faustão, com seu mantra de "tanto pessoal quanto no profissional".

O maior problema da vida moderna não é nem levar o personagem pra cama - é querer levar personagem dos outros pra cama.

- LEGIÃO URBANA REVIVAL

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Sabe aquele papo de "fulano calado é um poeta"? É sintomático que Renato Russo seja reverenciado como o maior letrista de uma geração depois de morto. Surfando na onda da popularidade póstuma, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá preparam uma gloriosa turnê de retorno da Legião Urbana, mas com outro nome e com um vocalista diferente em cada cidade. Tipo marinheiro.

Com a explosão demográfica de bandas covers da Legião, é justo que os Wailers do Cerrado reclamem o que lhes é de direito. Os shows prometem ser o equivalente genuinamente brasileiro a convenções Trekker, indo corajosamente aonde nenhum poço fundo foi antes.

- ZÉ MAYER FACTS

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A Globo deveria ter normatizado também as suas celebridades analógicas. As não-declarações de Zé Mayer sobre as borbulhas de amor provocadas por ele no Twitter foram um tanto quanto confusas.

Parece que a primeira reação dessa tribo muito colada é, ao ver seu nome associado com qualquer uma dessas "coisas de internet", achar logo que estão sendo logrados. Imagino a situação do Helenator, nervoso por ter sido citado no Twitter: "NÃO ERA EU". Era sim, e nós temos 40 anos de vídeos para provar.

- É MUITO BONE

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Flavio Briatore, a Susan Boyle do automobilismo, encantou o mundo com sua visão de negócios e estratégia de guerrilha. A emboscada virou enrascada, e o patinho feio não virou cisne - embora digam que ele anda recebendo alguns gansos. Fica nosso grande abraço a todos os envolvidos.

- SITUAÇÃO URBANA DIVERTIDA

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Nos Estados Unidos, quando o povo nota algo que não consegue identificar muito bem, pergunta-se "Será um pássaro? Um avião?", ao passo que a resposta costuma ser "Não". No Rio de Janeiro, o amigo leitor ouve escapamento de moto velha e pergunta-se "Será um arrastão? Uma turba enfurecida?", ao passo que a resposta é, invariavelmente, "Sai da frente".

O imbróglio ocorrido nesta quinta-feira levanta uma questão interessante para o cidadão contribuinte: quem arrasta o arrastão?

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Chico Barney é filósofo

domingo, 13 de setembro de 2009

PetroBeatles

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Semana passada foi lançado aquilo que pode ser considerada a camada pré-sal dos Beatles. Todos os discos remasterizados, inclusive na emocionante versão mono, revelando sabores e texturas nunca antes experimentadas.

Causa puro fascínio o fato de que bens tão não-renováveis quanto canções dos Beatles possam ser continuamente exploradas economicamente, com sucesso, no decorrer das décadas.

Além dos gloriosos remasters, a banda também está sendo apresentada a uma nova geração na forma de videogame. Confesso não ser um entusiasta do modelo atual, mas aproveito para sugerir uma versão Beatles versus Marvel ou mesmo um Beatles versus Capcom. George Harrison mostrando pro Zangief que lá vem o sol certamente seria um momento definitivo do entretenimento domiciliar.

De qualquer forma, assim como o petróleo, os Beatles são fósseis cada vez mais presentes na vida do cidadão comum, e devem seguir pautando a grande mídia em 2010 e além.

ABS

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Ben Harper

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De uns anos pra cá, virou clichê colocar Ben Harper no mesmo balaio que Jack Johnson, Donavon Frankenreiter e afins. Mas a verdade é que o Ben Harper, além de pai de todos, possui influências muito mais ricas e um trabalho infinitamente mais variado.

Muito além da surf music de boteco do disco "Diamonds on the inside", aproveitamos o episódio de hoje para mostrar facetas variadas de nosso protagonista. Garantimos uma divertida hora repleta de canções agradáveis o suficiente para que se EXTINGUA qualquer ideia errada sobre o valioso cantor e compositor.

[soundcloud width="100%" height="81" params="" url="http://soundcloud.com/chicobarney/e-mixtape-o-mane-ben-harper"]

Fight for your mind
Steal my kisses
The will to live
Suzie Blue
Another lonely day
Power of the Gospel
Like a king / I'll Rise
Glory & Consequence
Oppression
Jah work
Heart of matter
Forgiven

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Venda casada

Pete Yorn é um falsário, e eu tenho como provar.

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Caça e caçador

O cretino resolveu se aproveitar do charme, talento e carisma de Scarlett Johansson para lançar o disco mais picareta do ano. É como se Woody Allen a tivesse convidado para ser a "camareira #2" de algum de seus filmes.

A ideia inicial da senhora Ryan Reynolds era, evidentemente, estabelecer uma relação de comensalismo com Pete Yorn. Ela entraria com seu renome internacional, sua formosura galáctica e toda a mídia aos seus pés. Yorn emprestaria todo seu know-how para transformar Scarlett em um nome respeitado no metier.

Pois o músico se mostrou um grande predador. É ele o protagonista do disco, e tão somente ele.

The Break Up Album é composto por nove magérrimas canções, o que pouco faz justiça à musa, que pouco divide os vocais com Pete Yorn. Sem podermos reagir, observamos  o salafrário e obscuro não-ídolo indie montar seu palco nas costas da nobre Scarlett.

A internet inteira foi enganada com o single "Relator", em que ouvíamos a atriz, cantora, diretora e qualquer outra coisa que ela possa desejar ser destilar todo o seu grande talento vocal. Infelizmente, o mesmo não se repete no restante do álbum. A única música em que deu oportunidade para a deliciante artista brilhar muito nas quebradas foi a modorrenta "I Am The Cosmos", exatamente a música mais fraca de todo o disco.

O que Johansson sofreu foi um Boa Noite, Cinderela conceitual.

Após as críticas frias e invejosas do excelente "Anywhere I Lay My Head", em que Scarlett entoava clássicos de Tom Waits de uma maneira boa demais para o público e a crítica entenderem, nossa heroína viu que precisava de mais créditos nas ruas - como se alguém pudesse lhe ceder mais crédito do que o Tom Waits.

Inocente, a moçoila botou fé que Pete Yorn seria algum baluarte respeitado na ceninha hype. O ápice da carreira pregressa deste aproveitador barato foi figurar na trilha sonora do filme "Eu, eu mesmo e Irene", fita menor-que-a-vida estrelada por Jim Carrey - na verdade, uma versão irônica de "Eu, minha mulher e minhas cópias", de um Michael Keaton pós-Bruce Wayne.

Pete Yorn, antes um destemido ninguém, agora é o cara que gravou com Scarlett Johansson. Scarlett Johansson continua sendo uma espécie de Maurício Mattar de Hollywood.

E que não entendam errado, The Break Up Album é muito bom. Mas, no final das contas, é como ter que assistir à novela do SBT todo dia para poder anotar a senha para participar do Show do Milhão.

É inexplicável alguém ter a oportunidade de curtir o momento ao lado de Scarlett Johansson e preferir resolver a situação consigo mesmo.

Cotação: uma Vicky, de uma Vicky Cristina Barcelona possível