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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Circuito Brasileiro de Vlogs - etapa 1

É com muita alegria que pudemos perceber, neste Ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e dez, o florescer de uma nova forma de arte nesta indústria fundamental chamada internet de baixa renda: o Vlog. Uma maneira lúdica que a juventude da nação encontrou para expressar opiniões sobre as mais diversas coisas da vida.

A partir de hoje, analisaremos aqui as principais obras deste movimento transformador.

maspoxavida - Inferno, leite em pó e chat da uol



(prestigie a Íntegra do vídeo no fim do post)

Um dos melhores trabalhos do gênio em eterna deformação PC Siqueira, principalmente pelo diferencial de possuir apenas 4 minutos. Nele, o vlogger abre seu coração sobre um celular que não funciona e os apuros que você se mete por tomar leite em pó, além de discorrer sobre alguns fatos engraçados sobre o uso de aplicativos da internet com o intuito de interagir com outras pessoas.

Nosso protagonista começa deixando claro que é um forasteiro, fazendo um cumprimento como que ensaiado ao povo da Terra. Mas logo percebemos que ele apenas passou muito tempo no apartamento.

Os comentários argutos continuam na pequena seção a respeito do leite em pó, com uma brincadeira pra lá de sagaz sobre as definições contidas na embalagem do produto.

E a ação literalmente não para, quando são trazidas à tona coisas que acontecem de verdade no MSN, e aproveita para relembrar uma das bases sobre as quais nossa sociedade tecnológica foi construída: o fato de que só tinha homem no Chat da UOL. Além disso, o autor ajuda a popularizar a teoria pouco difundida de que o Acre não existe.

O bom da internet é dar espaço para observações pioneiras como as deste grande sujeito conhecido como PC Siqueira.

Mas o melhor ele deixou para o final, quando o vídeo de fato acaba.

FICHA TÉCNICA
Inferno, leite de pó e chat da uol
Um filme de PC Siqueira "sobre as pequenas coisas que acabam com sua vida, winks do msn, Acre, e a ausência de mulheres."
Produção: maspoxavida
Release Date:
27 February 2010 (Brazil)
Genre: Animation | Handicap Exploitation | Family

http://www.youtube.com/watch?v=c4-bl89HZak

Edição: equiparável a um bom filme de stop-motion
Temática: livre de qualquer graça
Recomendado para: novatos na arte de viver

Cotação: uma câmera na mão e nenhuma ideia na cabeça, de uma câmera na mão e qualquer ideia possível

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Uma história oral

shakira

Houve uma época em que mesmo álbuns pop possuíam algum conceito que desse razão para que aquelas canções estivessem juntas em um mesmo lugar. De Pet Sounds a Thriller, de Nevermind a Desliga E Vem, discos já foram obras pensadas como tal.

Atualmente, com seus 20 produtores diferentes para 11 músicas, os discos se parecem muito mais com almanaques do que com livros. No afã de agradar as mais diversas camadas da sociedade de consumo, as canções deixaram de ser capítulos e passaram a ser fascículos.

Mas Shakira mostra-se avessa a essa tendência ao lançar "She Wolf", um verdadeiro álbum conceitual. É um resgate dos valores mostrados no seriado dos anos 60 do Batman, com sua estética kitsch, camp e cheesy.

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Shakira vai muito além do "SOC! TUM! POF!", ainda que o disco seja tão onomatopéico quanto a saga psicodélica do paladino de Gotham City. No lugar do homem-morcego, temos a mulher-loba encantando gerações com os uivos bi-curiosos da faixa título.

Há também "Spy", onde a cantora colombiana já inicia os trabalhos imitando uma galinha, mostrando toda a sua versatilidade e levantando questões importantes: ela é uma galinha por curtir ser espionada? Ou tem algo a ver com a expressão anglo-saxônica "frangote", para pessoas que tem medo de espiões? A interpretação faz parte da dança.

E o que falar dos eróticos gemidos de "Did it again", "Mon Amour" e praticamente todas as outras faixas? Podemos dizer que é o gemido que dá unidade ao disco. Mais do que isso - é uma vertente na qual Shakira vem se esmerando desde o começo de sua carreira como estrela global.

Podemos ver o quanto suas qualidades foram exponencialmente trabalhadas desde os gemidos primitivos de "La Tortura" (Fijacion Oral 1, 2005) até a refinada gama de sons guturais emitidos pela cantora em seu mais recente lançamento.

Mesmo contando com diversos produtores e tentando atingir o maior número de rádios segmentadas, Shakira consegue entregar um material coeso, de personalidade. Tudo reforçado pelo clima igualmente kitsch, camp e cheesy dos clipes.

Por sorte, somos agraciados com a magnífica desenvoltura pélvica da moçoila no lugar da pança de chopp de Adam West.

httpv://www.youtube.com/watch?v=DHtN7LzKkPM

httpv://www.youtube.com/watch?v=i9cXsCpjzcw

Cotação: un poco de amor, de dois piez descalzos e sueños blancos possíveis

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Foi pro seu bem

[caption id="attachment_488" align="alignnone" width="400" caption="Vida inteligente no SESC Pompéia"]otto01[/caption]

Otto surgiu há mais ou menos 10 anos como grande promessa da MNPB, a dita música nada popular brasileira. Fez parte da valorosa equipe de fracassados conceituais da gravadora Trama - a mesma que apostava em canções inéditas do Cláudio Zolli e contratou todos os parentes do dono, João Marcello Bôscoli (exceto, claro, a que fez sucesso: Maria Rita).

Agora independente, Otto lançou "Certa manhã acordei de sonhos intranquilos". O trabalho marca uma ruptura com a escola Rosana Hermann de criação, abandonando os trocadilhos estilo "acabo de comprar uma tv a cabo" e "Condom Black" (leia-se Candomblé! Pescou, pescou?).

[caption id="attachment_489" align="alignnone" width="300" caption="Não dá dessas"]otto02[/caption]

O disco nos faz desejar que toda promessa da nossa música venha a se casar com Alessandra Negrini, apenas para que dê tudo errado no final. Praticamente todas as músicas novas do cantor falam sobre pé na bunda de um jeito bonito e visceral.

O grande mérito do disco é, pela primeira vez na carreira de Otto, não possuir nenhuma canção que pudesse figurar nas antigas coletâneas do Pânico da Jovem Pan.

De negativo, as participações especiais. Céu tem a habilidade de transformar qualquer música em trilha sonora das aulas de educação artística do primário. A pegada eternamente lúdica e folclórica ainda vai acabar descambando em um contrato vitalício com a Trama, abre o olho.

Já Julieta Venegas parece estar ali apenas para preencher fetiches de música de puteiro. Não acrescenta nada a 2 canções já modorrentas, as piores do disco.

Vos deixo com os melhores momentos de Certa manhã acordei de sonhos intranquilos: Crua e 6 minutos.

httpv://www.youtube.com/watch?v=pz34FGMCkWk

httpv://www.youtube.com/watch?v=PPqaGpRh3bE

Cotação: 5 presenças de Anita, de nenhuma Engraçadinha possível

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Venda casada

Pete Yorn é um falsário, e eu tenho como provar.

scarlett-johansson-pete-yorn-072009-lg-30096231
Caça e caçador

O cretino resolveu se aproveitar do charme, talento e carisma de Scarlett Johansson para lançar o disco mais picareta do ano. É como se Woody Allen a tivesse convidado para ser a "camareira #2" de algum de seus filmes.

A ideia inicial da senhora Ryan Reynolds era, evidentemente, estabelecer uma relação de comensalismo com Pete Yorn. Ela entraria com seu renome internacional, sua formosura galáctica e toda a mídia aos seus pés. Yorn emprestaria todo seu know-how para transformar Scarlett em um nome respeitado no metier.

Pois o músico se mostrou um grande predador. É ele o protagonista do disco, e tão somente ele.

The Break Up Album é composto por nove magérrimas canções, o que pouco faz justiça à musa, que pouco divide os vocais com Pete Yorn. Sem podermos reagir, observamos  o salafrário e obscuro não-ídolo indie montar seu palco nas costas da nobre Scarlett.

A internet inteira foi enganada com o single "Relator", em que ouvíamos a atriz, cantora, diretora e qualquer outra coisa que ela possa desejar ser destilar todo o seu grande talento vocal. Infelizmente, o mesmo não se repete no restante do álbum. A única música em que deu oportunidade para a deliciante artista brilhar muito nas quebradas foi a modorrenta "I Am The Cosmos", exatamente a música mais fraca de todo o disco.

O que Johansson sofreu foi um Boa Noite, Cinderela conceitual.

Após as críticas frias e invejosas do excelente "Anywhere I Lay My Head", em que Scarlett entoava clássicos de Tom Waits de uma maneira boa demais para o público e a crítica entenderem, nossa heroína viu que precisava de mais créditos nas ruas - como se alguém pudesse lhe ceder mais crédito do que o Tom Waits.

Inocente, a moçoila botou fé que Pete Yorn seria algum baluarte respeitado na ceninha hype. O ápice da carreira pregressa deste aproveitador barato foi figurar na trilha sonora do filme "Eu, eu mesmo e Irene", fita menor-que-a-vida estrelada por Jim Carrey - na verdade, uma versão irônica de "Eu, minha mulher e minhas cópias", de um Michael Keaton pós-Bruce Wayne.

Pete Yorn, antes um destemido ninguém, agora é o cara que gravou com Scarlett Johansson. Scarlett Johansson continua sendo uma espécie de Maurício Mattar de Hollywood.

E que não entendam errado, The Break Up Album é muito bom. Mas, no final das contas, é como ter que assistir à novela do SBT todo dia para poder anotar a senha para participar do Show do Milhão.

É inexplicável alguém ter a oportunidade de curtir o momento ao lado de Scarlett Johansson e preferir resolver a situação consigo mesmo.

Cotação: uma Vicky, de uma Vicky Cristina Barcelona possível