sexta-feira, 18 de setembro de 2009

As polêmicas da semana

- TÁ TODO MUNDO NESSA

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Lily Allen declarou que acha errado baixar música dos outros de graça, pois isso atrasa o lado dela, e ainda alfinetou a galera da maconha que apoia a situação.

Foi o que bastou para que fossem deflagrados comentários desabonadores sobre o som da moça. "Discordo de ti, logo te odeio". A educação sentimental dessa galera parece vir toda do Faustão, com seu mantra de "tanto pessoal quanto no profissional".

O maior problema da vida moderna não é nem levar o personagem pra cama - é querer levar personagem dos outros pra cama.

- LEGIÃO URBANA REVIVAL

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Sabe aquele papo de "fulano calado é um poeta"? É sintomático que Renato Russo seja reverenciado como o maior letrista de uma geração depois de morto. Surfando na onda da popularidade póstuma, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá preparam uma gloriosa turnê de retorno da Legião Urbana, mas com outro nome e com um vocalista diferente em cada cidade. Tipo marinheiro.

Com a explosão demográfica de bandas covers da Legião, é justo que os Wailers do Cerrado reclamem o que lhes é de direito. Os shows prometem ser o equivalente genuinamente brasileiro a convenções Trekker, indo corajosamente aonde nenhum poço fundo foi antes.

- ZÉ MAYER FACTS

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A Globo deveria ter normatizado também as suas celebridades analógicas. As não-declarações de Zé Mayer sobre as borbulhas de amor provocadas por ele no Twitter foram um tanto quanto confusas.

Parece que a primeira reação dessa tribo muito colada é, ao ver seu nome associado com qualquer uma dessas "coisas de internet", achar logo que estão sendo logrados. Imagino a situação do Helenator, nervoso por ter sido citado no Twitter: "NÃO ERA EU". Era sim, e nós temos 40 anos de vídeos para provar.

- É MUITO BONE

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Flavio Briatore, a Susan Boyle do automobilismo, encantou o mundo com sua visão de negócios e estratégia de guerrilha. A emboscada virou enrascada, e o patinho feio não virou cisne - embora digam que ele anda recebendo alguns gansos. Fica nosso grande abraço a todos os envolvidos.

- SITUAÇÃO URBANA DIVERTIDA

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Nos Estados Unidos, quando o povo nota algo que não consegue identificar muito bem, pergunta-se "Será um pássaro? Um avião?", ao passo que a resposta costuma ser "Não". No Rio de Janeiro, o amigo leitor ouve escapamento de moto velha e pergunta-se "Será um arrastão? Uma turba enfurecida?", ao passo que a resposta é, invariavelmente, "Sai da frente".

O imbróglio ocorrido nesta quinta-feira levanta uma questão interessante para o cidadão contribuinte: quem arrasta o arrastão?

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Chico Barney é filósofo

domingo, 13 de setembro de 2009

PetroBeatles

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Semana passada foi lançado aquilo que pode ser considerada a camada pré-sal dos Beatles. Todos os discos remasterizados, inclusive na emocionante versão mono, revelando sabores e texturas nunca antes experimentadas.

Causa puro fascínio o fato de que bens tão não-renováveis quanto canções dos Beatles possam ser continuamente exploradas economicamente, com sucesso, no decorrer das décadas.

Além dos gloriosos remasters, a banda também está sendo apresentada a uma nova geração na forma de videogame. Confesso não ser um entusiasta do modelo atual, mas aproveito para sugerir uma versão Beatles versus Marvel ou mesmo um Beatles versus Capcom. George Harrison mostrando pro Zangief que lá vem o sol certamente seria um momento definitivo do entretenimento domiciliar.

De qualquer forma, assim como o petróleo, os Beatles são fósseis cada vez mais presentes na vida do cidadão comum, e devem seguir pautando a grande mídia em 2010 e além.

ABS

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Ben Harper

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De uns anos pra cá, virou clichê colocar Ben Harper no mesmo balaio que Jack Johnson, Donavon Frankenreiter e afins. Mas a verdade é que o Ben Harper, além de pai de todos, possui influências muito mais ricas e um trabalho infinitamente mais variado.

Muito além da surf music de boteco do disco "Diamonds on the inside", aproveitamos o episódio de hoje para mostrar facetas variadas de nosso protagonista. Garantimos uma divertida hora repleta de canções agradáveis o suficiente para que se EXTINGUA qualquer ideia errada sobre o valioso cantor e compositor.

[soundcloud width="100%" height="81" params="" url="http://soundcloud.com/chicobarney/e-mixtape-o-mane-ben-harper"]

Fight for your mind
Steal my kisses
The will to live
Suzie Blue
Another lonely day
Power of the Gospel
Like a king / I'll Rise
Glory & Consequence
Oppression
Jah work
Heart of matter
Forgiven

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Venda casada

Pete Yorn é um falsário, e eu tenho como provar.

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Caça e caçador

O cretino resolveu se aproveitar do charme, talento e carisma de Scarlett Johansson para lançar o disco mais picareta do ano. É como se Woody Allen a tivesse convidado para ser a "camareira #2" de algum de seus filmes.

A ideia inicial da senhora Ryan Reynolds era, evidentemente, estabelecer uma relação de comensalismo com Pete Yorn. Ela entraria com seu renome internacional, sua formosura galáctica e toda a mídia aos seus pés. Yorn emprestaria todo seu know-how para transformar Scarlett em um nome respeitado no metier.

Pois o músico se mostrou um grande predador. É ele o protagonista do disco, e tão somente ele.

The Break Up Album é composto por nove magérrimas canções, o que pouco faz justiça à musa, que pouco divide os vocais com Pete Yorn. Sem podermos reagir, observamos  o salafrário e obscuro não-ídolo indie montar seu palco nas costas da nobre Scarlett.

A internet inteira foi enganada com o single "Relator", em que ouvíamos a atriz, cantora, diretora e qualquer outra coisa que ela possa desejar ser destilar todo o seu grande talento vocal. Infelizmente, o mesmo não se repete no restante do álbum. A única música em que deu oportunidade para a deliciante artista brilhar muito nas quebradas foi a modorrenta "I Am The Cosmos", exatamente a música mais fraca de todo o disco.

O que Johansson sofreu foi um Boa Noite, Cinderela conceitual.

Após as críticas frias e invejosas do excelente "Anywhere I Lay My Head", em que Scarlett entoava clássicos de Tom Waits de uma maneira boa demais para o público e a crítica entenderem, nossa heroína viu que precisava de mais créditos nas ruas - como se alguém pudesse lhe ceder mais crédito do que o Tom Waits.

Inocente, a moçoila botou fé que Pete Yorn seria algum baluarte respeitado na ceninha hype. O ápice da carreira pregressa deste aproveitador barato foi figurar na trilha sonora do filme "Eu, eu mesmo e Irene", fita menor-que-a-vida estrelada por Jim Carrey - na verdade, uma versão irônica de "Eu, minha mulher e minhas cópias", de um Michael Keaton pós-Bruce Wayne.

Pete Yorn, antes um destemido ninguém, agora é o cara que gravou com Scarlett Johansson. Scarlett Johansson continua sendo uma espécie de Maurício Mattar de Hollywood.

E que não entendam errado, The Break Up Album é muito bom. Mas, no final das contas, é como ter que assistir à novela do SBT todo dia para poder anotar a senha para participar do Show do Milhão.

É inexplicável alguém ter a oportunidade de curtir o momento ao lado de Scarlett Johansson e preferir resolver a situação consigo mesmo.

Cotação: uma Vicky, de uma Vicky Cristina Barcelona possível

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O Menino Maluquinho Jovem

Surfando na onda de sucessos como a Turma da Mônica Jovem, Luluzinha Teen e a CPI da Pedofilia, apresentamos um novo arrasa-quarteirão nas bancas do país.

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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

As polêmicas da semana

- VACAS FRIAS

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As revistas masculinas do país estão acusando o golpe da crise. Se tá ruim pra nós, imagina pra classe média, que ainda compra revista em banca de jornal.

Estão literamente voltando às vacas frias - mais especificamente, ex-participantes da cada vez mais longínqua nona edição do Big Brother Brasil.

O mote da edição de agosto da revista Playboy é "piercing íntimo", estrelando Priscila Pires, anteriormente conhecida como "Priranha". Esse tipo de reciclagem de não-tema faz a Karina Bacchi parecer uma celebridade relevante.

- DO CAOS À LAMA

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A situação anda tão complicada que, além das revistas masculinas, o mercado fonográfico nacional também está apelando para o mesmo estratagema. A grande novidade nas prateleiras de todas as cinco lojas de CD que sobraram no país chama-se Josy Oliveira, mais conhecida como a ex-BBB que tomou tombos divertidos em diversos desfiles de moda.

Produzida por Rick Bonadio, o Vildomar Batista da música brasileira, a moça promete um trabalho consistente como suas recem-adquiridas próteses de silicone. A única diferença é que as próteses possuem um método de identificação possível.

- GOPAL ETERNO

Gopal e Raul

Notamos que a teledramaturgia nacional atingiu a maturidade quando um exemplar definitivo do bromance surge no horário nobre da Globo. NOSSO JEITINHO de enxergar Capitão Kirk e Spock só poderia vir de Glória "Nenhum Sentido" Perez.

Gopal, vivido pelo pitoresco André Gonçalves, vem hipnotizando a nação com seu bigode revolto, seu cabelo lambido e sua adoração cega por Raul Cadore. Seja obrigando a maléfica Ivone a comer um bombom amaldiçoado ou ficando preocupado com a demora de seu amigo em ligar de volta, Gopal demonstra uma paixão que apenas um artista que foi expulso de um voo por tentar bulinar o Pelé poderia externar.

- AS AVES QUE AQUI GORJEIAM

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Xuxa exilou-se do Twitter depois de sua filhinha Sasha ter sido ofendida por causa de um erro de português.

Esse tipo de acontecimento, que racha a internet ao meio praticamente toda semana, ainda vai levar muito paparazzi à falência. O Twitter é o novo Leblon, onde podemos ver todas as celulites psicológicas de nossas celebridades preferidas.

- PASSEIO *

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O meu Avaí tem muito em comum com Belchior, quem diria. Além de serem as grandes sensações do momento, não brilhavam tanto pelo país desde o tempo em que a Elis Regina ainda tinha nariz para cantar.

E se o fantasma da série B é uma roupa que não nos serve mais, o mesmo podemos dizer do ostracismo para Belchior.

O compositor usou da artimanha de Michael Jackson, Elvis e tantos outros para tornar-se um mito: sumir da face da Terra. Como malandro é o Belchior, que já nasce de bigode, ele apenas excluiu o falecimento desta fina equação de sucesso.

- APOLÔNIO

carlosalberto

Nossa política tem lembrado cada vez mais o humorístico A Praça É Nossa. E não apenas pela vasta incidência de nepotismo em ambas as instituições.

Controvertidos personagens surgem em nossos jornais com a mesma inabalável frequência com que os esquisitos amigos de Carlos Alberto sentam em seu velho e querido banco. E a claque é sempre a mesma - na Praça, o riso de pessoas que provavelmente já estão mortas; nos jornais, a indignação de um disco quebrado.

O que sobra, como sempre, é enredo requentado.

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Chico Barney é latifundiário

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Collective Soul (vol. 1)

csoul

Durante basicamente toda a adolescência, minha banda preferida era o Collective Soul. Sempre gostei muito de melodias simpáticas, agradáveis e ganchudas, o que explica meu gosto por coisas tão diferentes quanto Collective Soul, Wilco, Jorge Ben e Belo.

Ed Roland, cantor e principal compositor da banda de Atlanta, é uma espécie de Jeff Tweedy com as referências erradas. Mas, de certa forma, eles tem muito em comum. Enquanto Jeff passou um tempo sujando suas melodias maiores que a vida com guitarreira e zunzunzum, Ed passa boa parte do seu tempo em estúdio arranjando maneiras de arruinar suas melodias mais recentes com barulhinhos tecnológicos que não fazem o menor sentido.

Mas nem sempre foi assim. Roland e seus amigos já acreditaram no suingue de raiz, sem pratos virtuais quebrando no começo de cada canção. E, se você passa pela lamúria que são as introduções do Collective Soul de 10 anos pra cá, acaba tendo a oportunidade de ser abraçado por algumas das músicas mais legais do mundo.

Neste primeiro tomo de nossa trilogia sobre Collective Soul, alguns dos sons mais agradáveis gravados pela banda ao longo destes quase 20 anos de carreira.

[soundcloud width="100%" height="81" params="" url="http://soundcloud.com/chicobarney/csoul01"]




Better Now
Everything
Reunion
Forgiveness
She Gathers Rain
Skin
Never Here Alone
Tremble For My Beloved
Untitled
Full Circle
Link
Under Heaven's Skies
Over Tokyo
Wasting Time
December
Burning Bridges
Heaven's Already Here

PS: Vejam como são as coisas. Depois de escrever esse post e gravar essas canções, fui atrás de informações recentes a respeito da banda. Eles lançaram disco novo ontem, logo quando fiquei com a banda o dia inteiro na cabeça. ABS